Tarifar em 20% a importação do etanol pode gerar mais empregos em Pernambuco

18 de agosto de 2017 Notícias 0

A Câmara de Comércio Exterior vai decidir, na próxima quarta-feira (24), se a importação de etanol dos Estados Unidos será tarifada em 20%. O aumento do imposto é uma reinvindicação do setor sucroenergético brasileiro e pode beneficiar cerca de 12 usinas de Pernambuco que mudaram o foco da produção do álcool anidro – usado na gasolina – para o açúcar. O estado responde por 3% desse mercado nacional, mas o número representa cerca de 70 mil empregos para a Zona da Mata Sul, que ainda não encontrou outra alternativa de sobrevivência econômica. Se o anidro voltar a ser taxado, como está fazendo a China em 30%, a perspectiva de empregos crescerá no estado e no restante do país.

Os Estados Unidos deixaram de pagar impostos na importação do álcool anidro desde 2013. Na época, esperava-se que o mercado brasileiro iria exportar mais porque produzia mais álcool (produto derivado da cana). Mas, o que aconteceu foi o inverso. O governo norte-americano aumentou demais o subsídio para o milho – que também produz etanol – e ficou bem mais barato comprar de fora.

Segundo o deputado federal João Fernando Coutinho (PSB), vice-presidente da Frente em Defesa do Setor Sucroenergético, a proposta apresentada precisa ser discutida em vários ministérios porque mexe com as relações comerciais com o país norte-americano. Ele frisou, no entanto, que cerca de 80% do que os EUA para exportam para o Brasil vêm para o Nordeste, e isso está prejudicando a competitivade das indústrias.

De acordo com o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, Alexandre Andrade, o etanol que será tarifado é o alcool anidro, que está presente em 27% de cada litro de gasolina. Ele explica que a ideia mais consensual é resgatar o imposto para esse tipo de importação para que os empregos não sejam mais afetados.

A proposta é tarifar em 20% quem importar 600 milhões de litros. “Se não houver uma atitude do governo, vamos perder várias indústrias no Nordeste”, declarou Alexandre. Ele garante que a produção da cana hoje não recebe subsídio e a região passou por um longo período de seca. O Nordeste leva desvantagem na produção da cana por conta do terreno acidentado. No caso da Mata Sul, por exemplo, o clima também é muito úmido. “De janeiro a julho deste ano foi importado 1,1 bilhão de litros de etanol (alcool anidro) para todo o país e 80% vem para o Nordeste”.

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