Segunda onda de transformação digital provocará reviravolta no varejo

12 de setembro de 2018 Notícias 0

A segunda onda de transformação digital provocará novas reviravoltas no varejo latino americano, prevê o estudo “Disruption and Innovation in Latin American Retail”, coordenado pelo Center for Digital Business Transformation do gA (Grupo ASSA).

A adoção de novas camadas de tecnologias avançadas gera não só inovação mas diferenciação, como instrumento para elevar vendas e a rentabilidade dos varejistas. No momento, coexistem empresas em diferentes estágios de implementação de novas tecnologias. De um lado estão companhias, como Amazon, Alibaba e Walmart, com estruturas sólidas e plena utilização de ferramentas como a computação em nuvem (cloud), inteligência artificial (AI), analíticos preditivos, machine learning e no outro extremo, aquelas que ainda possuem um caminho longo pela frente, realidade que cria um descompasso entre multinacionais varejistas e empresas locais.

Ainda segundo o estudo, com um crescimento constante em torno de 13,8%, os novos varejistas que já nasceram puramente digitais no comércio eletrônico irão aumentar sua participação no mercado. No entanto, o crescimento será limitado pela crescente entrada de gigantes multinacionais na região. Ao mesmo tempo, grandes operadores de cadeia de varejo, em reação, irão diversificar seus canais de e-commerce que já respondem por uma parcela importante, com crescimento anual de 19,4%.

A mudança mais importante, que ameaça provocar reviravoltas no setor, é mesmo a propagação da segunda onda de transformação digital. Após a expansão do comércio eletrônico, grandes varejistas locais enfrentam os desafios de se adaptarem às novas tecnologias disruptivas (robótica, inteligência artificial, análise de dados combinada com técnicas de big data, sistemas de rastreamento de clientes dentro e fora das lojas e mineração de dados). Nestes casos, a transformação digital significa, portanto, disrupção ou a adoção de novas tecnologias avançadas que geram mudança drástica na cadeia de valor.

Os varejistas que já nasceram digitais crescem baseados em seu conhecimento, maturidade e preparo.O varejo físico retomará protagonismo com a combinação de tecnologias digitais para alavancar vendas. As lojas tradicionais ainda respondem por 90% das compras. E devem reforçar competitividade com adoção de estratégias de omnichannel ou convergência de canais. Como ter lojas com showroom, cliente escolhe o que agrada e retira onde quiser.

As lições aprendidas nas economias desenvolvidas são úteis para prever a evolução do setor, aponta o estudo. A ruptura predominante nos modelos de negócios provocada por empresas inovadoras e disruptivas , que formam a “ponta do iceberg”, irá expulsar do mercado aquelas empresas que não serão capazes de se adaptar aos novos modelos de negócios. Esta onda, agravada pelo baixo nível de formalização do setor, resultará em mais consolidações e saídas dos pequenos e médios varejistas nos países analisados (Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Peru, Uruguai, México). Somente irão sobreviver e coexistirem com os mais competitivos caso se adaptarem ao novo desafio competitivo e serem apoiados por mudanças em áreas-chave como atendimento, automação de armazéns e uso de tecnologias digitais avançadas.

A primeira onda de transformação digital (adoção de computadores,banda larga, celular,telecomunicações,plataformas de internet) limitou-se a automatizar processos com adoção de programas de gerenciamento empresarial (ERP), agora a segunda onda traz novas tecnologias para refinar informações sobre os clientes com a coleta de informações por sensores dentro das lojas e análises preditivas de dados por softwares de inteligência. A primeira onda gerou certa frustração de expectativas junto aos varejistas por não trazer aumento automático de vendas. A expectativa agora é que vão ganhar muito com tecnologias inovadoras como Big Data, Cloud, robótica, inteligência articial e sensores conectados nas lojas para rastrear e entender o que deseja o cliente.

*Fernando Gamboa é diretor senior do gA

Foto: Shutterstock