Saiba o que o consumidor de hoje projeta para o futuro

18 de janeiro de 2019 Notícias 0

“Sou viciado em redes sociais”.

“Prefiro que meu filho ande num carro autônomo do que com um motorista desconhecido”.

“As empresas deveriam oferecer um dia de descanso mental”.

“Sempre considero os custos ambientais ao fazer uma compra”.

Essas são algumas das respostas que emergem de tendências de comportamento que estão influenciando a vida dos cidadãos contemporâneos em áreas primordiais, como bem-estar, trabalho e mobilidade.

As informações fazem parte do relatório Ford de Tendências 2019, desenvolvido pela montadora americana.

A pesquisa ouviu 13.012 pessoas em 14 países, entre eles Brasil, Austrália, China, Estados Unidos e Alemanha.

“Individual e coletivamente, essas mudanças de comportamento podem nos levar do sentimento de desamparo ao de fortalecimento – liberando um monde de maravilhas, esperança e progresso”, afirma Sheryl Connely, chefe de Tendências Globais e Futuro da Ford.

Conheça algumas das tendências e como elas impactam a vida das pessoas e a atuação dos negócios.

TECNOLOGIA COMO PROPULSORA DE MUDANÇAS

A tecnologia está tão integrada em nossas vidas que é quase inviável desassociá-la de nosso comportamento. Entre as pessoas ouvidas pela Ford, 80% acreditam que a tecnologia será a condutora de mudanças na sociedade.

No entanto, há dúvidas sobre o quão positiva ou negativa a tecnologia pode ser. Esse receio está baseado numa falta de conhecimento sobre como operam tecnologias emergentes, como inteligência artificial e robótica. É o medo do desconhecido.

Mas diversas iniciativas estão aí para provar que o bem vence. Por exemplo, o Google, com o Global Fishing Watch, está utilizando inteligência artificial e análise de dados de satélite para monitorar 22 milhões de pontos de pesca. O objetivo é identificar em tempo real pesca ilegal.

DESINTOXICAÇÃO DIGITAL

Trabalho, entretenimento, relações familiares e até paquera. Praticamente, todas as atividades cotidianas podem ser feitas por meio de dispositivos tecnológicos. São as interações contínuas com smartphones, tablets e computadores. E as pessoas estão cada vez mais conscientes e alarmadas com essa dependência.

Na média global, 96% concordam que deveria haver tempo limitado para usar smartphones e outros dispositivos. Outros 45% sentem inveja de quem consegue se manter desconectado.

Isso vem sendo feito por parte dos consumidores que buscam alternativas para se manterem sãos. De acordo com o Global Wellness Institute, o mercado de turismo dobrou entre 2015 e 2017 – e as viagens de bem-estar, aquelas que alinham saúde e lazer, estão puxando a alta.

MOMENTO ECO

ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA JÁ É REALIDADE EM
ESCOLAS PÚBLICAS DA BAHIA

Os consumidores concordam que o progresso ambiental depende de mudanças no comportamento humano.

Mais de 80% dos brasileiros afirmam que mudariam a sua forma de comer se achassem que isso ajudaria o planeta.

Um programa lançado ano passado em Serrinha, no interior da Bahia, pretende reduzir em 100% os alimentos de origem animal da merenda escolar de quatro cidades da região.

Serão impactados 30 mil estudantes de 137 escolas.

Em Istambul, na Turquia, estão sendo instaladas máquinas em que passageiros trocam latas de alumínio e garrafas plásticas por crédito no cartão de metrô.

Em diferentes partes do mundo, como no Canadá, estão sendo criadas lojas que vendem produtos, como alimentos e produtos de higiene e beleza, sem embalagem. É o consumidor que precisa levar seus vasilhames retornáveis.

RETOMANDO O CONTROLE

O auto-aperfeiçonamento está alta. Um exemplo é o crescimento do mercado de coaching. Apenas nos Estados Unidos, ele movimenta mais de US$ 2,3 bilhões ao ano.

Buscar capacitação e mudar comportamentos é uma maneira de se adequar aos novos tempos. 83% dos entrevistados concordam que a mudança é menos intimidadora quando se dá pequenos passos.

Com a Internet das Habilidades, em que mundo físico e virtual se fundem por meio de realidade virtual e aumentada, luvas e sensores, é possível interagir em tempo real a grandes distâncias e ter experiências sensoriais que parecem locais. Assim, será possível aprender em viagens virtuais desde Machu Picchu até o espaço sideral ou o mar profundo.

O TRABALHO DA VIDA

Trabalhar para viver. Essa será cada vez mais a ambição dos empregos no futuro. Embora a situação seja mais complicada para trabalhadores de menor renda, que muitas vezes trabalham para sobreviver, há uma tendência de que o funcionário planeje sua carga horária e rendimentos para aproveitar a vida.

FORD, VOLVO E BMW PROMETEM CARROS ELÉTRICOS AUTÔNOMOS
PARA O MERCADO DE MASSA EM 2021

Isso tem emergido devido ao excesso de trabalho, que era algo bem-visto por gerações passadas, mas pode causar sérios problemas de saúde.

No Reino Unido, um em cada três registro de doenças feitos por clínicos gerais refere-se a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.

Na outra ponta, uma pesquisa da Simplii Financial aponta que dois terços dos canadenses já pensaram em largar seu emprego para ter uma vida sabática – e um em cada quatro já estão economizando para isso.

Na índia, a empresa de software Infosys incentiva os funcionários a se afastarem por até um ano para trabalhar no desenvolvimento de projetos na comunidade recebendo 50% do salário.

CAMINHO FÁCIL

É imensurável as mudanças que o setor de transporte tem passado nos últimos anos. Empresas digitais de mobilidade urbana criaram um novo mercado e revolucionaram o mundo dos negócios, mobilizando toda a indústria automotiva.

Hoje, empresas como Ford, BMW e Volvo estão numa corrida para ver quem lança no mercado de massa o primeiro carro elétrico e autônomo. A expectativa das três é o ano de 2021.

E o medo do futuro tem ficado para trás. 55% dos brasileiros acreditam que o carro autônomo será mais seguro que motoristas humanos. Na média global, 67% afirmam que preferem que o filho ande num carro autônomo do que com um estranho.

O apreço por carro também está caindo. Na Espanha, 76% dos consultados gostaria de ter cidades apenas com bicicletas e transporte público – no Brasil a porcentagem é de 66%.

Na China, a cada cinco semanas, as cidades ganham mais 9.500 ônibus elétricos – o equivalente a toda frota de Londres.

Fonte: DComércio – Por Italo Rufino

IMAGEM: Thinkstock